Fernando Cyrino

Caminhando e saboreando a vida.

Textos


Liturgia da Missa - Reflexão sobre a Mesa da Palavra para o domingo 14-11-2010 - Ano C – XXXIII do Tempo Comum – O cristão é o verdadeiro e indestrutível Templo do Senhor.

Era uma vez um homem que via as coisas através do seu significado externo. Nada do que fosse interior a elas lhe dava sentido. Cansado de viver o momento presente ele resolveu construir sua casa no futuro, para que nada do que acontecesse em volta lhe incomodasse. Só tinha olhos para o amanhã e esse olhar era meio estranho. Além de apenas ver aparências, estava viciado em captar o negativo das coisas exteriores. O profundo delas era insondável para ele. Por isto a vida se transformara em constante pesadelo. Visualizava conspirações, guerras, terremotos, tsunamis, aumento da violência e tudo de ruim possível de acontecer. A vida aparente que projetava lhe gerava verdadeiro pavor. Nos poucos momentos em que conseguia sonhar algo melhor, só havia espaço para si mesmo e as pessoas amadas. Dos demais era incapaz de se lembrar. Tudo que via era como se fossem prenúncios de desgraça e da destruição da casa no futuro e da terra. O fim do mundo vivia à sua porta. Até dera para imaginar que o “apocalipse já tinha data. Ele irá acontecer em 21 de dezembro de 2012.

No próximo domingo teremos imagens bem fortes na Mesa da Palavra. A primeira leitura, tirada do livro do profeta Malaquias e o Evangelho de Lucas trazem-nos figuras que precisam ser vistas com cuidado. São textos que quando lidos de maneira literal, podem provocar entendimentos equivocados sobre os sinais que o mundo nos traz. Entendidos assim poderão também alimentar o discurso de alguns pregadores mais preocupados com o fim do mundo, do que com a construção de uma humanidade melhor para todos.

Aliás, ocupar-se com o final dos tempos pode vir a se tornar uma confortável maneira de alienação. É bem mais cômodo permanecer imaginando o amanhã, esperando que aconteçam desgraças, do que trabalhar para acolher a graça que o Espírito dá a todo o momento. Mais comprometedor é viver o aqui e agora, colocando as mãos na massa para transformar a realidade em volta e fazendo com que haja mais justiça e paz.

Jesus vem nos falar no Evangelho que não podemos viver de aparências. Há que se buscar a profundidade das coisas. Permanecer ligado apenas no que é físico é pobre. É o que está além das aparências que dará o verdadeiro sentido às coisas. Afinal, lembra-nos o filósofo, aquilo que nos parece hoje ser tão sólido amanhã poderá ter se desmanchado no ar.

O contexto histórico do Evangelho mostra-nos que ele foi escrito quando o Templo de Jerusalém já havia sido destruído pelos romanos. Eram tempos nos quais os cristãos sofriam grandes perseguições e falar dessa forma era uma maneira de manter animados os seguidores de Jesus. Ele então, conforme as palavras de Lucas nos diz que apesar da aparência, de parecer tão firme, da sua imponência e beleza, aquilo é somente pedra e um dia irá desmoronar. Os “templos” construídos por mãos humanas, religiosos ou não, por mais sólidos que possam parecer, serão destruídos. Vejamos o que causou os dois aviões lançados contra as torres gêmeas, o grande “templo do poder e sucesso econômico” do império americano.

Ao contrário dos templos externos que as catástrofes, a estupidez, a maldade humana e o tempo destroem, nós viveremos por toda a eternidade. O que aparenta acaba, mas a essência essa permanece para sempre. Nada ou ninguém poderá nos destruir. Nem a morte será capaz disto. Jesus nos encoraja então para que permaneçamos firmes, porque será nos mantendo assim que receberemos a vida plena. Ganhar a vida é tomar posse da eternidade que nos está prometida pela ressurreição do Senhor. Ou como diz o profeta Malaquias, “para os que temem o nome do Senhor nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”.

Por isto é que a leitura escatológica (tratando do final do mundo) desses textos é perigosa.. Ela pode se tornar fundamentalista., animando as pessoas a ver nas catástrofes naturais e nas guerras e confusões entre os homens, a chegada dos tempos finais. Essa abordagem faz sentido na reflexão individual sobre o fim que cada um de nós terá aqui na terra. O alerta de Jesus é mais para que permaneçamos atentos ao nosso “fim do tempo” do que ao “final dos tempos”.

Há poucos dias lemos nos noticiários sobre o rompimento de barragem com produtos químicos na Hungria. Foi o “fim do mundo” para um tanto de gente. O terremoto no Haiti e o tsunami na Ásia foram, com certeza, “final do mundo” para milhares e milhares de pessoas. Há poucos dias, em São Paulo, um caminhão bateu numa passarela derrubando-a. Matou imediatamente um senhor que a atravessava numa bicicleta e outro que passava numa Kombi pela estrada. Para esses dois, podem nem ter visto o caminhão, mas foi o “fim do mundo”. Avião cai em Cuba e é o “fim do mundo” para seus ocupantes. Está por aí o sentido maior do convite de Jesus para cada um de nós.

Para refletir durante a semana:

- Considero-me verdadeiro Templo do Senhor?
- Por onde caminha a minha preocupação?
- Tenho refletido sobre o meu “fim do mundo”?

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1ª Leitura - Ml 3,19-20a
Eis que virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los, diz o Senhor dos exércitos, tal que não lhes deixará raiz nem ramo. Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas.

2ª Leitura - 2Ts 3,7-12
Irmãos: Bem sabeis como deveis seguir o nosso exemplo, pois não temos vivido entre vós na ociosidade. De ninguém recebemos de graça o pão que comemos. Pelo contrário, trabalhamos com esforço e cansaço, de dia e de noite, para não sermos pesados a ninguém. Não que não tivéssemos o direito de fazê-lo, mas queríamos apresentar-nos como exemplo a ser imitado. 0Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: 'Quem não quer trabalhar, também não deve comer'. Ora, ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada. Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranqüilidade o seu próprio pão.

Evangelho - Lc 21,5-19
Naquele tempo: Algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: 'Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído.' Mas eles perguntaram: 'Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer? 8Jesus respondeu: 'Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!' e ainda: 'O tempo está próximo.' Não sigais essa gente! Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim.' E Jesus continuou: 'Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!

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Fernando Cyrino
Enviado por Fernando Cyrino em 07/11/2010


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